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Tarifas de Trump: O Fim do Livre Mercado, quem sai perdendo?

Artigo de Opinião – Por Elimar Fardin Lorenzon, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã

“Uma nação que seja orgulhosa, próspera e livre”. Com essas palavras, Donald Trump iniciou seu discurso de posse para o segundo mandato, reafirmando o compromisso com a liberdade dos americanos. No entanto, a prática tem demonstrado um cenário bastante diferente. Pelo menos, no que se refere à liberdade de comprar e vender, os Estados Unidos têm dado uma aula de interferência e protecionismo, atitudes com grande impacto na cadeia global e questionadas por economistas e liberais por ferir os princípios do livre mercado. Mas quais são as consequências dessa nova postura do presidente republicano?

Nos últimos dias, os EUA aderiram a novas políticas de taxação internacional, interpretadas no cenário mundial como um passo significativo rumo a uma guerra comercial. Trump implementou tarifas significativas sobre importações de diversos países. A partir de 4 de março, entraram em vigor tarifas de 25% sobre produtos do Canadá e um adicional de 10% sobre produtos chineses. No caso do México, a tarifa para importação também será de 25%, e a cobrança terá início a partir de abril. Brasil, Índia, União Europeia e outros países podem ser os próximos alvos dessa nova onda de tarifas.

A justificativa norte-americana frente a essas medidas está pautada, entre outros motivos, na redução da violência e do tráfico de drogas, bem como no combate de práticas comerciais consideradas desleais. Contudo, essa gestão vem sendo criticada e considerada desalinhada à expectativa de americanos e de parceiros comerciais. Há especulações de que a conduta de Trump vai ao encontro dos interesses políticos de seus apoiadores, antes, durante e após a campanha que o elegeu pelo segundo mandato.

Em resposta, retaliações imediatas foram tomadas pelos parceiros comerciais. A China adotará tarifas de 15% sobre produtos agroalimentares, como soja, milho e carne suína vindos dos EUA, enquanto o Canadá adotou tarifas de 25% sobre produtos norte-americanos.

Além da iminente guerra comercial, quem sai perdendo não são apenas as indústrias e empresas exportadoras e importadoras, mas também os consumidores. Com a imposição de novas barreiras comerciais, o fluxo natural de produtos é distorcido, favorece itens internos que nem sempre oferecem o melhor custo-benefício e encarece os preços finais para o consumidor.

Para o setor agropecuário norte-americano, a nova política do presidente também foi alvo de críticas. Com as tarifas adicionais sobre os produtos chineses, o Brasil pode ser beneficiado, substituindo os fornecedores dos Estados Unidos nas importações de soja e milho. Por outro lado, novas tarifas ao Brasil podem ser criadas, reduzindo a competitividade brasileira em uma série de produtos, como o aço e commodities, em geral.

Além dos efeitos sobre o livre comércio, a insegurança gerada por essa guerra comercial afeta investimentos estrangeiros e a previsibilidade econômica global. Para o Brasil, ainda que o vácuo deixado a curto prazo pelas transações entre as duas grandes potências, China e Estados Unidos, possa parecer oportuno, é preciso atenção às novas medidas de Trump, que já expressou críticas diretas ao nosso país. A interferência nos preços, transações comerciais e logística global exige estratégias diplomáticas para mitigar impactos negativos. Assim, ainda que alguns especialistas defendam a recente política de Trump, é inegável que suas interferências têm repercussões globais, afetando inclusive o Brasil. O monitoramento constante e negociações diplomáticas serão fundamentais para minimizar riscos e garantir que eventuais retaliações não comprometam setores estratégicos da economia. Como já dizia Ayn Rand: “Você pode ignorar a realidade, mas não pode ignorar as consequências de ignorar a realidade.”

Autor

Elimar Lorenzon - atual

Elimar Fardin Lorenzon

Associado III

Portocel

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