Resenha Crítica – Por Felipe Pinto Gazoni, Associado Trainee do Instituto Líderes do Amanhã
A obra “O que se vê e o que não se vê”, de Frédéric Bastiat, foi publicada em 1850, dois anos após o Manifesto Comunista de Karl Marx. Nela, Bastiat convida o leitor a refletir sobre como o lado oculto das decisões políticas pode gerar consequências indesejáveis. O livro está segmentado em 12 capítulos, nos quais o autor aborda desde problemas simples, como “a janela quebrada”, até questões mais complexas, como o protecionismo.
Claude Frédéric Bastiat foi um escritor, economista e legislador francês. Publicou seu primeiro artigo aos 32 anos, defendendo a abolição de impostos sobre produtos agrícolas. Dez anos depois, escreveu um artigo sobre o mesmo tema para o periódico de economia mais prestigiado da França, o Journal des Économistes, consolidando-se como uma das vozes mais persuasivas do pensamento econômico liberal da época. Sua experiência como legislador transparece em sua escrita, na qual utiliza argumentos e contra-argumentos para defender suas ideias.
O livro inicia com o famoso exemplo da janela quebrada. Bastiat ilustra como o que se vê é o benefício imediato para o vidraceiro, que recebe pelo conserto. No entanto, o que não se vê é o prejuízo ao sapateiro, que deixou de vender os sapatos que o comerciante gostaria de comprar com aquele dinheiro. A partir desse exemplo simples, o autor demonstra como todas as ações têm consequências visíveis e invisíveis, premissa que se estende por todo o livro.
Cada capítulo explora essa lógica em temas como soberania nacional, impostos, cultura, obras públicas, empresários, protecionismo, evolução tecnológica, oferta de crédito, imigração e mercado. Bastiat argumenta que o Estado frequentemente toma medidas que não beneficiam diretamente os cidadãos, mas sim a si mesmo. Para ele, se uma função pública deve ser criada, sua utilidade precisa ser comprovada para aqueles que arcarão com os custos. A necessidade deve emergir do cidadão para o legislador, e o Estado deve proteger o livre desenvolvimento sem favorecer uns em detrimento de outros.
Os empresários, chamados de intermediários, também desempenham um papel central na obra. Bastiat explica como o lucro e a evolução tecnológica são benéficos para a sociedade, apesar das críticas daqueles que defendem um Estado forte, que frequentemente se opõem a quem mais contribui para o financiamento das políticas públicas. Ao mesmo tempo, o autor denuncia como o protecionismo, as garantias de crédito e os privilégios estatais favorecem uma elite em prejuízo do restante da população. Podemos tomar como exemplo a famosa “taxa das blusinhas”, criada para proteger o mercado nacional, esse é o lado visível. O que não se vê, é a redução do poder de compra da população mais pobre e o impacto sobre os Correios, símbolo do mercado nacional, que perdeu 2,2 bilhões em faturamento e fechou o ano em déficit fiscal. Os temas e argumentos apresentados por Bastiat continuam extremamente atuais, mostrando que o abuso de autoridade pelo Estado não é uma exclusividade brasileira. “O que se vê e o que não se vê” é uma leitura essencial para compreender os perigos de um Estado grande e intervencionista, alertando para as consequências ocultas das decisões políticas.