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Mudanças Climáticas: Quem pagará por isso?

Artigo de Opinião – Por Lenita Bodart Guimarães Caetano, Associada trainee do Instituto Líderes do Amanhã

O movimento de descarbonização pelas empresas ganhou força no início dos anos 2000, mas se intensificou significativamente após o Acordo de Paris em 2015. Esse acordo, firmado por 196 países durante a COP21, estabeleceu metas para limitar o aquecimento global a bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais. As mudanças climáticas representam uma crise global que afeta de maneira desigual diferentes países, comunidades e gerações. Tal dilema moral envolve a responsabilidade de arcar com os custos da mitigação e adaptação, equilibrando interesses presentes e direitos das futuras gerações.

Diante de grande pressão reguladora, na qual governos passaram a implementar legislações rígidas sobre emissões de gases de efeito estufa, exigem-se relatórios de sustentabilidade, metas claras de redução de carbono e tributos específicos. Há, inclusive, empresas que buscaram um rebranding para fortalecer sua imagem de sustentabilidade ou atrair investidores institucionais atentos aos compromissos climáticos.

Dentre as metas traçadas, destaca-se a ousada neutralidade até 2050. Pouco se fala, no entanto, que para atingi-la será necessária a reinvenção de como produtos são fabricados e marcados operam. Em uma indústria siderúrgica de base, por exemplo, isso significa transformar processos produtivos inteiros, quase começando do zero, para atender exigências tão rigorosas.

Embora faltem 25 anos para o cumprimento da meta, a transição para a neutralidade de carbono exige investimentos massivos desde já, o que gera altos custos estruturais. Obviamente, tais investimentos não podem ser absorvidos internamente sem comprometer as margens de lucro, levantando o questionamento: quem pagará por isso?

A cobrança recai sobre as empresas, pressionadas a financiar a própria transição. Muitas investem em tecnologias limpas, como energia renovável, captura de carbono (CCS) e eficiência energética. Na Europa, por exemplo, adota-se o princípio do “poluidor-pagador”, onde multas são aplicadas conforme emissões de CO2. Importante destacar que todo esse custo é repassado ao consumidos, já que impacta diretamente o preço final dos produtos.

Duas grandes siderúrgicas europeias já declararam que o aço de baixa emissão de carbono, produzido com hidrogênio verde ou com CCs, por exemplo, custam cerca de 150 euros a mais por tonelada, elevando o preço de mercado em aproximadamente 20%.

Para minimizar esses impactos empresas buscam integrar a descarbonização a novos modelos de negócio. Ou seja, investir em pesquisas e novas formas de produzir é essencial, mas precisa trazer retorno financeiro e desenvolvimento sustentável. Caso contrário, o impacto no mercado será elevado. As mudanças climáticas são questões éticas de justiça e responsabilidade moral, muito além de gerenciamento ambiental. Contudo, é preciso reconhecer a complexidade do tema e sus custos. Se a descarbonização for imposta a qualquer custo, empresas e consumidores serão inevitavelmente, e massivamente, afetados.

Autor

Lenita Caetano

Lenita Bodart Guimarães Caetano

Associada trainee

ArcelorMittal Tubarão

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