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Espírito Santo: quando a liberdade vira musculatura econômica

Artigo de Opinião – Por Rayane Borges, Associada I do Instituto Líderes do Amanhã

A liberdade, muitas vezes, é subestimada por sua invisibilidade. Como a musculatura que sustenta o corpo, ela não aparece à primeira vista, mas está por trás de cada movimento firme e coordenado. No cenário nacional, poucos estados compreenderam com tanta clareza essa lógica quanto o Espírito Santo. Longe dos holofotes e da retórica inflamada, o estado construiu uma base estável de desenvolvimento a partir de princípios liberais que, embora discretos, revelam-se vigorosos: livre iniciativa, responsabilidade fiscal e respeito à propriedade privada.

O Espírito Santo lidera, há mais de uma década, os rankings de capacidade de pagamento do Tesouro Nacional, com nota A. Entre 2019 e 2022, o Espírito Santo foi o segundo estado que mais cresceu em participação no PIB nacional, subindo de 1,8% para 2,1%, segundo dados do IBGE. Nesse mesmo período, foi o quarto com maior crescimento do PIB industrial do país, consolidando-se como polo relevante da nova economia brasileira. Esse desempenho decorre de disciplina orçamentária, gestão eficiente e investimentos com visão de longo prazo. A criação do Fundo Soberano, por exemplo, demonstra uma política pública que alia prudência e planejamento, algo ainda raro em um país historicamente marcado pelo imediatismo. Criado em 2019, o fundo destina parte das receitas oriundas da exploração de petróleo e gás para garantir investimentos estratégicos e proteger o estado contra instabilidades fiscais. Trata-se de uma musculatura institucional rara no Brasil, que vai além da retórica e traduz-se em confiança jurídica, previsibilidade e dinamismo econômico. Grandes empresas têm sido atraídas por esse ambiente desburocratizado, transparente e confiável.

A lógica capixaba dialoga com a análise de Milton Friedman, para quem “as grandes realizações econômicas das sociedades ocorreram quando a propriedade privada foi respeitada e o mercado pôde operar livremente”. No Espírito Santo, essas condições permitiram o fortalecimento de cadeias produtivas, o avanço do setor exportador e a formação de um ecossistema de inovação que não depende de incentivos estatais ou protecionismo para prosperar.

A liberdade, nesse contexto, também se traduz em confiança no indivíduo e no setor produtivo. O estado tem ampliado iniciativas para reduzir a judicialização de conflitos, fomentar o empreendedorismo e fortalecer parcerias com a sociedade civil. Como lembra Matt Ridley, “a inovação é, por definição, um processo descentralizado e imprevisível”, e só floresce onde há espaço para tentativa, erro e aprimoramento. É exatamente nesse ambiente, menos intervencionista e mais confiável, que o Espírito Santo permite que a inovação floresça.

Essa trajetória mostra que o Espírito Santo não é um caso isolado de sucesso, mas um contraponto ao modelo centralizador e dependente de repasses que ainda domina grande parte do Brasil. Em vez de recorrer à lógica de dependência fiscal que ainda predomina em boa parte da federação, o Espírito Santo adotou uma estratégia deliberada de autossuficiência institucional. Isso significou rejeitar o ciclo vicioso de repasses emergenciais, isenções improvisadas e subsídios generalizados que, embora politicamente rentáveis no curto prazo, corroem a sustentabilidade das finanças públicas no longo prazo. O estado optou por construir sua musculatura econômica sobre três pilares: equilíbrio fiscal rigoroso, transparência na alocação de recursos e ambiente regulatório previsível. Essa base sólida permitiu que o poder público deixasse de ser protagonista econômico para assumir seu papel essencial: o de árbitro confiável e promotor de um ecossistema que recompensa a eficiência e a inovação. Ao prosperar sem recorrer a pacotes populistas ou incentivos artificiais, o Espírito Santo converteu os princípios liberais em ferramenta de política pública e não em retórica ideológica. Hoje, mais do que um exemplo isolado, representa um modelo replicável de governança responsável, capaz de alinhar liberdade de mercado com entrega de valor público.

No silêncio de sua competência, o estado demonstra que o progresso não se impõe por decreto, mas se constrói com valores claros, gestão responsável e liberdade aplicada. Quando bem exercida, a liberdade se transforma em musculatura econômica: ela sustenta, move e transforma.

Autor

Rayane Borges

Rayane Fernandes Goncalves Borges

Associada I

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