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Resenha – Por que as nações fracassam

Resenha Crítica – Por Tito Kalinka, Associado II do Instituto Líderes do Amanhã

Por que as nações fracassam é um livro escrito por Daron Acemoglu e James Robinson. Acemoglu é professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Em 2005, recebeu a Medalha John Bates Clark, concedida a economistas com menos de quarenta anos cujas contribuições para o pensamento e o conhecimento econômico sejam consideradas de maior relevância. Robinson é cientista político, economista e professor da Universidade de Chicago. Especialista de renome mundial em América Latina e África, realizou pesquisas na Bolívia, República Democrática do Congo, Haiti, Serra Leoa e Colômbia.

O livro tenta trazer o porquê de algumas civilizações serem ricas e outras pobres. Por quinze anos, eles investigaram a história de civilizações separadas tanto pelos séculos quanto pela geografia, a fim de compor uma tese inovadora: para prosperar, os cidadãos necessitam de instituições inclusivas, que geram círculos virtuosos de inovação, expansão e ampliam a riqueza. Por meio de uma teoria de base universal, os autores afirmam que as estruturas sociais criadas pelo homem são o que sustenta o sucesso econômico, bem como o fracasso das nações. Os países só são capazes de escapar da pobreza quando dispõem de instituições adequadas, com a preservação do direito à propriedade privada e da livre concorrência. Defendem, ainda, que a probabilidade de os países desenvolverem boas instituições é maior quando contam com um sistema pluralista e aberto, com disputa de cargos, eleitorado amplo e espaço para discussão de ideias.

Já no início do livro, os autores provam que não é a geografia, tampouco a cultura, que torna um país desenvolvido, mas sim instituições inclusivas.  Ao abordar o caso da cidade de Nogales, no Arizona, EUA e Nogales no estado de Sonora, México, a ideia fica bem clara. Simplesmente por uma estar situada nos EUA, onde vive-se em uma comunidade que respeita a propriedade privada, a livre concorrência e possui instituições políticas e econômicas inclusivas e a outra estar situada no México, local que possui instituições predominantemente extrativistas, Nogales no México possui um terço da renda média que possui Nogales, nos EUA.

No decorrer do livro, os autores trazem vários exemplos históricos de desenvolvimento de civilizações e de como o caminho para a prosperidade passa por instituições inclusivas. Uma comunidade pode até crescer tendo instituições extrativistas, mas não será um crescimento sustentado e baseado na inovação. A destruição criativa é extremamente citada no livro e é basilar para o desenvolvimento de uma nação. Por várias vezes durante a história, governos brecaram inovações tecnológicas simplesmente porque empregos seriam extintos e isso geraria ruídos políticos para o possuidor do poder. Nada mais lastimável e, invariavelmente, as nações que foram por esse caminho não se desenvolveram.

Em tempo, instituições inclusivas são aquelas que promovem a igualdade de oportunidades, a proteção dos direitos de propriedade, a aplicação da lei e a participação política ampla. Encorajam a inovação, o empreendedorismo e a competição. Já instituições extrativistas são caracterizadas por elites que buscam extrair riqueza em benefício próprio, frequentemente às custas da maioria da população, criando desigualdade, corrupção e falta de incentivo para investimentos e inovação.

O livro mostra o por que o Brasil jamais alcançou uma mínima chance de se tornar desenvolvido. A definição de instituições extrativistas segue exatamente o modus operandi de todo o aparato governamental, isto desde a colonização portuguesa. Não tem a menor possibilidade de dar certo enquanto as instituições não se abrirem para a inovação e deixar os grandes empreendedores ditarem o ritmo do desenvolvimento.

O livro é uma leitura esclarecedora e que desafia a visão convencional sobre as causas do sucesso e do fracasso econômico e político. Os autores oferecem uma abordagem sólida e convincente para entender, desde o início da história humana, o porquê de algumas nações terem dado certo e outras não. O porquê algumas prosperam e outras são fadadas ao subdesenvolvimento e à estagnação. O livro é uma obra prima e essencial para economistas, cientistas políticos e qualquer pessoa interessada nas complexas questões do desenvolvimento político e econômico.

Autor

Tito-Dias-Kalinka

Tito Dias Kalinka

Associado II

Grupo 2127

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