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Resenha – O Padrão Bitcoin – A alternativa descentralizada ao Banco Central

Resenha Crítica – Por Jhonnilo Cunha, Associado II do Instituto Líderes do Amanhã

O livro O Padrão Bitcoin: a Alternativa Descentralizada ao Banco Central foi escrito por Dr. Saifedean Ammous, professor assistente de economia na Adnan Kassar School of Business e da Lebanese American University – LAU. Ammous é um especialista e defensor da criptomoeda e possui um excelente podcast com o mesmo nome original do livro, The Bitcoin Standard.

O autor traz, logo nos primeiros capítulos de seu livro, o conceito de moeda forte e moeda fraca. Segundo o autor, a moeda forte tem o seu valor estável ao longo do tempo, sem reflexos nas instabilidades econômicas e fenômenos como a inflação. O ouro é um exemplo de moeda forte. A moeda fraca, por sua vez, sofre efeitos de políticas dos Estados ou dos Bancos centrais, perdendo a sua característica de unidade de medida de valor. No Brasil e no mundo, temos exemplos como o Cruzeiro, o Cruzado, o Bolívar Venezuelano, o Pengő húngaro, o Goldmark ou o Pfennig alemão. Nesse sentido, o poder devastador de moedas fracas pode ser visualizado nos fatos históricos que sucederam cada um dos exemplos citados, como no caso da moeda alemã, que é apontada como uma das principais causas da ascensão de Hitler. Entretanto, o maior problema de uma moeda fraca é que ela muda negativamente o modo como as pessoas vivem, bem como os seus planos de família, carreira, entre outros, afetando toda a sociedade e inclusive a prosperidade dela.

Outro conceito importante trazido pelo autor é a taxa de escassez de uma determinada moeda. Isso é o que faz o ouro ser tão valioso, pois é relativamente escasso, devido à dificuldade envolvida para encontrá-lo e em sua mineração. No capítulo 2, Saifedean cita exemplos de objetos que já foram usados como moedas e tiveram o seu declínio justamente porque a sua escassez foi comprometida pela circulação de novas unidades, seja por novos achados, como nos casos das conchas, ou pela facilidade de se falsificar ou replicá-los.

No capítulo 4, Ammous relata o risco intrínseco às moedas fiat que tiveram o seu padrão desvinculado do ouro, sendo que dos 57 dos 58 casos de hiperinflação ocorreram após a segunda guerra mundial, ou seja, após os acordos de Bretton Woods, em que foi estabelecido o chamado padrão dólar-ouro, numa tentativa de se estabelecer um equilíbrio entre as políticas monetárias dos países, de modo a manter a paridade com as moedas nacionais, porém conferindo imenso poder à moeda norte-americana, que tem a capacidade de expandir indefinidamente a base monetária, visto que não há lastro para ela.

Uma das informações mais interessantes da obra é a de que o dinheiro estatal, com sua contínua depreciação pela sua facilidade de impressão, retira o estímulo de poupar do cidadão, fazendo com que a preferência temporal seja aumentada. Outro ponto é que a concessão de crédito vai de encontro ao capitalismo puro, pois o estímulo para o consumo desenfreado vai totalmente de encontro com as suas principais leis, prejudicando o livre mercado. Segundo Ammous, fomentar o consumo é uma parte normal do capitalismo, assim como a asfixia é uma parte normal da respiração.

No capítulo seguinte, Ammous esclarece que as distorções geradas no livre mercado acabam gerando uma intensa necessidade de as pessoas buscarem saber tudo o que está acontecendo no mundo. No livre mercado, sem qualquer tipo de intervenção, o conhecimento de cada uma das entidades descentralizadas e as informações contidas no preço já seriam suficientes para as pessoas. As moedas governamentais são as causadoras para tais distorções, devido às políticas econômica e monetária adotadas por cada um dos atores estatais, influenciando por meio de inflação e manipulação das taxas básicas de juros. Isso sem contar as diversas ações comprovadamente ineficazes, como o tabelamento de preços.

Após uma aula de economia, o autor finalmente inicia a abordagem sobre o bitcoin, trazendo as suas principais vantagens. Nesse momento, vale mencionar que Hayek, em 1984, praticamente previu, ou até mesmo instigou, a existência do bitcoin, bem como o seu potencial.

“Eu não acredito que teremos um bom dinheiro de novo antes de tirá-lo das mãos do governo, isto é, não podemos tirá-los violentamente das mãos do governo, tudo o que podemos fazer é por algum o caminho indireto introduzir algo que eles não podem parar.” (HAYEK, 1984)

Esse é exatamente o poder que o bitcoin tem, especialmente acima das demais criptomoedas. Por seu limite de quantidade, sabe-se que não haverá mais que 21 milhões de bitcoins em circulação, isso o torna o ativo mais escasso que existe. Além disso há, ao mesmo tempo, muita segurança e transparência. Contudo, talvez o principal aspecto esteja relacionado a sua emissão descentralizada. Nenhum governo ou banco central pode controlá-lo ou interferir em sua avaliação, nem em sua criação ou distribuição. Com o bitcoin, o dinheiro se despolitiza, eliminando assim o controle que moedas fiduciárias exercem sobre a população. Isso é propriedade privada de verdade!

Assim, apesar do tema criptomoedas já ser relativamente bem difundido, muitas pessoas ainda buscam essa classe de ativo com o intuito apenas de especular. O livro traz um o fundamento e potencial do bitcoin ante o sistema monetário mundial que temos, o qual deve ser o qual objetivo que os investidores devem buscar tê-la. É de fato uma leitura obrigatória para quem deseja iniciar seus investimentos em criptomoedas. Após ler o livro, compre bitcoin!

Autor

Jhonnilo-Soares-Cunha

Jhonnilo Soares Cunha

Associado II

Grupo Águia Branca

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