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Resenha – Cuba e o cameraman

Resenha Crítica – Por Raphael Ribeiro, Associado II do Instituto Líderes do Amanhã

Retratar a realidade é algo simples na teoria, mas, na prática, nossas ideias e cultura nos enviesam para distorcer um pouco os fatos. Isso acontece porque temos uma tendência de incluir as emoções nas histórias. Essa afirmação pode ser comparada ao avaliarmos o retrato de Cuba: Existem diversos relatos, inclusive com dados e estatísticas, que apresentam esse país que está imerso na ditadura de Fidel Castro há décadas, mas é relatado como o paraíso na terra.

O documentário “Cuba e o Cameraman” apresenta o jornalista e cineasta, Jon Alpert, acompanhando a figura de Fidel Castro desde sua ascensão ao poder e, em paralelo, todos os desafios que os cubanos enfrentaram ao longo de 40 anos. Diversos dilemas ideológicos, sociais e econômicos, vivenciados e filmados na pele por Alpert, que fazia de alguns cubanos, figuras recorrentes de suas idas e vindas de Cuba. Mostrando a evolução, ou melhor, retrocesso em sua liberdade e consequente perda de prosperidade no decorrer desses intervalos. Quanto maior dependência do Estado Cubano, maior o aumento da pobreza e dos desafios diários.

Alpert podia conhecer todas as facetas de Fidel Castro, acompanhar os embates, os problemas sociais de perto, a ineficiência do governo, os problemas externos e quase “sucesso” de um governo socialista, ao menos nos primeiros anos.

O sonho de Fidel quase deu certo, quando a União Soviética tentou criar um bloco socialista  mundial e uma rota de comércio entre esses países. Inicialmente, houve alvoroço e resultados aparentes, porém, com os conflitos internos e a ruína da antiga URSS, todos os sonhos foram para o espaço. Como sempre, a utopia socialista levou para o caminho costumeiro, a pobreza e miséria compartilhadas de forma igualitária. Além disso, a opressão e coerção do Governo Cubano eram constantes sobre todos. Sem suprimentos e sofrendo embargos dos Estados Unidos e aliados, Cuba tornou-se um país isolado da América Central. O caos foi instalado e durante as visitas de Alpert ao país, era exatamente o que se podia identificar. Ruínas, pobreza, fome, corrupção, ausência de saneamento básico, pessoas tentando evadir o país, violência, furtos, ataque às propriedades alheias, contrabando e tantos outros problemas gerados pela falta de liberdade dos cubanos. No entanto, as marchas para idolatrar Fidel Castro como o Salvador de Cuba, eram infindáveis e constantes. O herói adorado que livrou o país das garras dos antigos generais opressores e dominadores.

O mais impressionante é que o próprio cineasta apresentava todas as mazelas causadas pela Ditadura socialista de Fidel, mas não dizia uma única palavra contrária. Fazia entrevistas, filmava alguns lugares e apresentava as diferenças num intervalo de anos. Inclusive as alternâncias da Economia Cubana, a qual precisou se reinventar e passou a investir no Turismo, devido às suas lindas praias e a brilhante ideia de Fidel em manter mais dólares circulantes em Cuba. Funcionou até certo ponto, porém, a pobreza, falta de energia, educação básica, saúde ineficiente, falta de medicamentos e tantos outros problemas continuaram a perdurar.

Um dos casos mais emblemáticos, é da família Borrego, a qual pelo próprio esforço e suor, utilizava da agricultura para garantir seu sustento. O que Alpert vivenciou foi o desafio desses três irmãos em trabalhar até aos 90 anos, lutando contra o sistema opressor que tomava uma parte através de impostos, controlava e retinha a venda de seu plantio e, além disso, não garantia a proteção de suas propriedades e seus bens. Pois o documentário retrata os roubos de seus animais por outros cubanos, que passavam fome, e não tinham carne, e se viam na única condição de saquear os animais de terceiros para sobreviver. Os que davam sangue e suor para conquistar algo, eram obrigados a dar o fruto do trabalho, sem ao menos poder defender seus próprios bens. Mais uma vez, o sonho cubano deixava seus compatriotas mergulhados na pobreza e falta de perspectiva de um futuro melhor.

Alpert vivenciou um povo subjugado por idolatrias socialistas, pouco pode fazer por eles e, o principal, percebeu que poucos conseguiam despertar do transe imposto por Fidel, pois, mesmo após a sua morte, as novas gerações continuam o idolatrando e julgam que o verdadeiro problema continua nos embargos econômicos, e não na ausência de liberdade individual.

Autor

Raphael-Ribeiro-dos-Santos

Raphael Ribeiro dos Santos

Associado II

Autoglass

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