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Resenha – 1984

Resenha Crítica – Por Marina Cunha Ferreira, Associada II do Instituto Líderes do Amanhã

George Orwell, renomado autor britânico, apresenta em sua obra “1984” uma visão sombria e aterrorizante do futuro. Publicado em 1949, o romance distópico continua a ser uma fonte de fascinação e debate, pois suas previsões e temas continuam assustadoramente relevantes na sociedade contemporânea. 1984 é uma obra-prima que se desenrola em três atos, cada um contribuindo para a construção de uma visão apocalíptica de um futuro totalitário.

A primeira parte do livro estabelece o cenário sombrio de um mundo governado pelo Partido e pelo Grande Irmão, onde a privacidade é inexistente e a manipulação da informação é onipresente. “O Grande Irmão está de olho em você” é o que se lê por toda a parte em pôsteres e fotos do grande líder do partido. O Grande Irmão não pode ser questionado. Há “teletelas”, uma tela bidirecional presente em todas as casas, vigiando constantemente tudo e todos. E ela nunca pode ser desligada. A linguagem da obra, com sua propaganda política e seu “Novilíngua” (um idioma criado para limitar o pensamento crítico), revela uma sociedade onde a manipulação da informação é uma ferramenta crucial de controle.

O protagonista, Winston Smith, é um funcionário do Partido, que trabalha no Ministério da Verdade, incumbido de reescrever a história para se adequar aos interesses do Partido. Através dele, Orwell cria um mundo totalitário que explora questões de controle, manipulação da informação, privacidade e o impacto da opressão do Estado sobre a mente e a identidade do indivíduo. Winston, desde o início, é cético em relação ao sistema opressivo em que vive. Por diversas vezes comete o pensamento-crime, como é chamado em Novilíngua. Esse é o crime essencial que engloba todos os outros na sociedade da obra, o simples ato de pensar algo que vá contra as ideias do Partido.

Na segunda parte, a narrativa se aprofunda à medida que Winston inicia um relacionamento proibido com Julia, uma colega de trabalho. Eles buscam momentos de intimidade e rebeldia, desafiando o controle rígido do Partido. Este ato enfoca a busca da individualidade em um mundo que busca suprimir qualquer traço de autonomia. Sob domínio do Partido, sentimentos de afeição por outra pessoa são desestimulados e a reprodução humana é apenas uma obrigação a ser cumprida de tempos em tempos. Amar alguém ou seguir o instinto humano era uma pequena vitória para o casal. “Um ato político”.

A mesma repressão aos estímulos sexuais era aplicada à paternidade. As famílias ainda existiam, mas os pais tinham um amor frio e distante pelos filhos. Os filhos, por sua vez, eram ensinados desde pequenos a espionar os pais e a relatar seus desvios. Além de ser um instrumento poderoso de vigilância, as repressões aos sentimentos levavam à histeria, que podia ser transformada em fervor e veneração ao líder.

O clímax da história acontece na terceira parte quando Winston é capturado Partido. Ele descobre estar sendo monitorado de perto por 7 anos. Seu relacionamento nunca foi secreto para o Partido, nem seus “pensamentos-crime”, nem o diário que mantinha escondido, nem sua associação à suposta Confraria (grupo secreto que luta contra o Partido). Ao ser capturado, Winston é levado para o Ministério do Amor e torturado brutalmente. O objetivo da tortura, além da confissão, era fazer com que o capturado (ou “evaporado”, como dizem as pessoas em 1984) se convertesse e saísse apoiador do partido e fiel ao Grande Irmão.

Winston é interrogado e torturado incansavelmente até o ponto de se tornar apenas uma boca que revelava e uma mão que assinava qualquer papel que exigissem. Ele passa por processos que o fazem duvidar da realidade. Será que dois mais dois é realmente quatro? De acordo com o interesse do Partido, a resposta poderia ser quatro ou cinco. E esse é justamente o objetivo do Partido com a tortura e interrogatório, curar a pessoa de pensamentos-crime. Winston só seria morto ou libertado depois que virasse um deles. Este é o ápice da opressão do Estado sobre a mente e a identidade do indivíduo. Winston é forçado a trair sua amante, a ser fiel ao Partido e a amar o Grande Irmão.

Em conclusão, “1984” de George Orwell é uma obra atemporal que continua a ser uma poderosa reflexão sobre os perigos do totalitarismo, da manipulação da informação e da perda de privacidade. A relevância do livro é notável, uma vez que muitos de seus temas e previsões ressoam com a sociedade contemporânea. A obra nos lembra da importância de defender a verdade, da proteção da privacidade e da preservação da individualidade em face de ameaças totalitárias. “1984” permanece como um alerta crucial que merece ser lido e discutido.

Autor

Marina-Cunha-Ferreira

Marina Cunha Ferreira

Associada II

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