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Resenha – 1984

Resenha Crítica – Por Tito Kalinka, Associado II do Instituto Líderes do Amanhã

“1984” é um livro de ficção, escrito por George Orwell, e publicado em 1949.  Poucos meses antes da morte do autor, esta distopia foi apresentada ao mundo. O livro foi considerado como uma crítica às ditaduras nazifascistas e que, ao ser lançado, ainda estavam bem vívidas nas memórias das pessoas. Orwell nasceu no norte da Índia, em 1903, e foi autor de diversos romances, ensaios e textos jornalísticos em sua breve vida. É considerado um dos escritores mais importantes do século XX.

O livro transcorre em um regime totalitário extremamente sombrio, no qual o Estado controla todos os aspectos da vida dos cidadãos. “O Grande Irmão”, ou seja, o aparato central, está sempre à espreita e observando se todos estão seguindo seus mandamentos e regras rígidas de comportamento. O governo central se divide em quatro ministérios, quais sejam: “Ministério da Verdade”, “Ministério da Paz”, “Ministério do Amor” e “Ministério da Pujança”. O primeiro é responsável por notícias, entretenimento, educação e artes. O segundo trata de temas relacionados a guerra. Ao terceiro cabia manter a lei e a ordem e o quarto era responsável por questões econômicas. Os três slogans principais do Partido consistiam nas três frases: “Guerra é paz”, “Liberdade é escravidão” e “Ignorância é força”.

O personagem central se mantém na figura de Winston Smith, funcionário do Partido que tomou o poder no país chamado Oceânia. Ele pouco se lembra de sua vida antes do regime implantado e teve seus pais e sua irmã levados pela ditadura. Smith trabalhava no Ministério da Verdade, produzindo-se notícias e recriando-se os fatos conforme o Partido ordenava. Ele vivia em uma casa perto do seu trabalho, e em toda residência tinha uma “teletela”, que consistia em uma televisão em que se passava a programação do Partido e é por meio dela que seus componentes vigiavam tudo o que acontecia dentro da residência de cada um. Esta tela jamais poderia ser desligada.

O mundo conhecido pelo personagem era dividido entre os membros do Partido e os proletas – pessoas que se encontravam à margem de todo o aparato estatal e somente sobreviviam. Não possuíam a instrução para irem de encontro às ideias vigentes. Ideias estas que haviam sido sobrepostas à qualquer ideal de liberdade, no livro configuradas pelas ideias de Emmanuel Goldstein, antagonista do Partido.

Com o passar do romance e o desenrolar dos fatos na vida de Smith, dois novos personagens surgem com grande importância: Julia e O’Brien. A primeira era membro do Partido acima de qualquer suspeita. Membro de grupos importantes dentro do regime, acaba se apaixonando por Smith, algo terminantemente proibido. O segundo, O’Brien, era membro do alto escalão do governo e que Smith, por algum motivo, achava que era confiável e que faria parte do grupo dissidente do regime. Com Julia, Smith vive uma intensa história de amor e começa a ser capaz de pensar novamente, dividindo ideias e percebendo o que há muito já sabia: o regime totalitário acabava com o direito individual de todos. Sua relação com O’Brien começa ao se encontrarem, e este último ganha a confiança de Smith, dizendo fazer parte do grupo dissidente e que estaria ali para ajudá-lo.

Após muitos encontros com Julia e vivendo uma vida de verdade após anos sendo manipulado pelo Partido, o casal é descoberto. O proprietário da casa onde se encontravam fazia parte do regime e eles são capturados e levados para o temido Ministério do Amor. Neste local, o Partido “reeduca” os cidadãos a partir de torturas e mortes. Ao chegar na prisão do Ministério, descobre que O’Brien era realmente fiel ao “Grande Irmão” e nada tinha de dissidente ou faria parte do grupo que buscava a liberdade. Smith foi brutalmente torturado e, após muito resistir, foi levado ao Quarto 101. Nesta sala, as pessoas eram colocadas frente a frente com seus maiores medos, os quais, naturalmente, o Partido sabia, já que controlavam a vida das pessoas a todo tempo. Até então, Smith tentava controlar seus ideais e não estava disposto a se render ao Partido. Mas, após sofrer todo o tipo de tortura por meses e ter passado pelo Quarto 101, toda a capacidade de pensar que ele havia adquirido tinha acabado. O livre pensar já estava longe de sua cabeça e, ao final do romance, ele já se sente grato pela existência do “Grande Irmão”.

O livro é um clássico do século XX e, nos tempos atuais, é uma leitura obrigatória para todos. Serve de lição para brigar por todo o tipo de liberdade nos dias sombrios que o mundo se encontra. A liberdade individual, a livre associação, o direito à vida e à propriedade e, principalmente, o livre pensar e o livre expressar, devem ser altamente defendidos. Que o espírito da liberdade floresça para que nenhum Partido tirano ou totalitarista venha ganhar força e tornar a escravidão do pensamento algo comum na sociedade atual.

Autor

Tito-Dias-Kalinka

Tito Dias Kalinka

Associado II

Grupo 2127

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