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O Verdadeiro Inimigo na Política Brasileira

Artigo de Opinião – Por Leonard Batista, Associado Alumni do Instituto Líderes do Amanhã

É inegável que na última década, houve um aumento do interesse político por parte da população brasileira. Eventos como a “Revolta dos 20 Centavos”, o impedimento da até então presidente Dilma Roussef e o ativismo do Supremo Tribunal Federal Brasileiro trouxeram à tona o debate político dentre os cidadãos. Paralelamente ocorreu o “boom” das redes sociais, e com as portas abertas para que cada um escalasse sua opinião, foi natural o surgimento de movimentos liberais e conservadores em um país que, desde a Constituição de 88, fora governado por partidos sociais democratas.

Se por um lado, a visão mais à esquerda da Social-Democracia apoia intervenções estatais na economia para promover uma chamada “justiça social”, uma visão mais à direita parte do princípio da liberdade e do mérito. O liberalismo estabelece como valor o esforço individual e cria uma visão de que quando você quer alguma coisa, você se dedica e luta para conseguir. E não de uma visão de que o mundo te deve alguma coisa, ou que de alguma forma você é um injustiçado.

Com visões tão opostas, aconteceu o que então chamamos de “acirramento” entre aqueles que dizem ser de direita ou esquerda, conservador ou progressista. O problema é que a irracionalidade tem aflorado entre a população, o ponto de pessoas próximas passarem a odiar umas às outras pelo simples fato de possuírem visões políticas diferentes.

E não para por aí: recentemente vimos o fenômeno da “síndrome de torcida de futebol” alcançar os patamares da música. Quando artistas ligados ao funk passaram a apoiar de forma clara o candidato mais à esquerda, houve um movimento de reação de músicos do sertanejo declarando apoio ao candidato mais à direita. Num movimento de irracionalidade coletiva, foi possível perceber uma nação inteira se dividir entre “funkeiros” ou “sertanejeiros” numa quase autodeclaração moral de costumes.

Com esse fenômeno social, ficamos a nos questionar se essa tal “polarização” já aconteceu na história do país. Já tivemos antes relações entre familiares, vizinhos, e amigos que passaram a se odiar por causa de política? A resposta talvez seja: na intensidade como ocorre atualmente, não!

Vivemos uma era onde a comunicação se tornou muito acessível. Hoje todos podem dizer em público tudo o que pensa de maneira muito fácil na internet. É a “praça pública” tão defendida e enaltecida por Platão, só que em uma potência muito mais elevada. Se há mais pessoas expressando sua opinião como bem entendem, é natural que o despreparo também tenha ganhado voz. Aonde chegamos com isso? Mais irracionalidade e mais absurdos sendo expressos.

Por outro lado, há uma impressão de que o ser humano tem apreço pelo absurdo. Parece que quanto mais absurda é a notícia mais ela ganha repercussão. Com isso, chegamos ao ponto onde mais irracionalidade tem sido absorvida e aceita. Esse grau de liberdade de expressão juntamente ao despreparo intelectual traz o ambiente ideal para a nutrição do ódio um do outro. Quanto mais ignorante se torna o indivíduo em relação a um assunto, mais ele se apega a emoção, e assim a uma irracionalidade que leva o leva a gritar e brigar.

A irracionalidade ganhou mais peso na sociedade. Apesar de sempre ter existido, nunca teve tanta voz como hoje nas redes sociais. Mas qual seria o problema? O surgimento de um movimento mais à direita no Brasil? A falta de regulação em redes sociais? A resposta é: Nenhum dos dois!

Se quisermos resolver um problema, precisamos antes identificá-lo. O problema do Brasil nunca foi o embate entre direita e esquerda. Dessa forma, se faz necessário interromper o pensamento de código binário como Aristóteles já ensinou. O verdadeiro adversário é o coletivismo, que pode ser tanto direita quanto à esquerda. A ideia de quem alguém tem que estar à disposição de um determinado grupo, ou de servi-lo de alguma maneira.

Se avançarmos de forma mais profunda no problema, veremos ainda o agravamento deste cenário através da deturpação das instituições democráticas. O Estado brasileiro tem transvestido sua verdadeira função, e deixado de preservar indivíduos para preservar determinados grupos de interesse. Eleição após eleição temos visto um governo que impõe pautas de interesse de um grupo restrito ao restante da população. Temos vivido um eterno populismo, seja ele de direita ou de esquerda.

Mas se o problema é este, por que é tão difícil identificá-lo? O cérebro é como um músculo, se você passa a ler e consumir somente aquilo que lhe agrada, sua visão de mundo fica restrita a isso, e o restante de sua capacidade de enxergar outros pontos atrofia. Assim é com nossas convicções sobre política e sociedade. Perde-se então o lastro com a realidade, e a razão é então dominada por uma narrativa preenchida de um ponto de vista emocional. Paixão, e não racionalidade!

Para nos ajudar a quebrar essa narrativa binária de direita e esquerda é necessário entendermos o verdadeiro problema, que é o coletivismo. Exaltar exemplos históricos como Tiradentes, Luiz Gama e Joaquim Nabuco nos permitirá olhar para nosso passado e termos como exemplo brasileiros que lutaram pela liberdade individual contra a tirania do coletivismo. Mais importante ainda, é entendermos que a saída para nosso problema de polarização é o uso excessivo de comunicação, para que todos possam ter acesso aos valores liberais, e em hipótese alguma a regulação desta.

Autor

Leonard-de-Almeida-Batista

Leonard de Almeida Batista

Associado Alumni

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