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O PIB e a vitrine quebrada

Artigo de Opinião – Por Jhonnilo Soares Cunha, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã

Nos círculos econômicos e políticos, o Produto Interno Bruto (PIB) é frequentemente reverenciado como a medida definitiva do sucesso econômico de um país. No entanto, ao olharmos mais de perto essa métrica, é possível perceber que ela pode não ser tão representativa quanto parece. É nesse ponto que as ideias do renomado economista Henry Hazlitt entram em cena, desafiando a suposição de que o PIB é uma métrica adequada para medir a prosperidade econômica.

Publicado em 1946, seu livro seminal “Economia em uma Única Lição” continua a desafiar noções convencionais sobre economia e políticas públicas. Hazlitt argumenta que muitas políticas econômicas são avaliadas apenas em termos de seus efeitos imediatos e visíveis, ignorando as consequências à longo prazo e os efeitos secundários não tão óbvios. Essa visão se aplica igualmente ao uso do PIB como medida de sucesso econômico.

Em sua obra, Hazlitt discorre acerca da falácia da vitrine quebrada, originalmente exposta por Frédéric Bastiat. A lógica é a seguinte: uma vitrine quebrada precisa de conserto, beneficiando o vidraceiro e girando a economia. Contudo, essa lógica, quando avaliada de maneira mais ampla, se torna claramente falaciosa, pois os recursos que foram utilizados para se adquirir uma vitrine quebrada deixaram de ser aplicados na aquisição de um outro bem. Assim, nenhuma riqueza é gerada.

Quando analisamos o PIB sob a mesma ótica, percebemos que diversos componentes desse indicador sofrem da mesma falácia. Diversos gastos que não se refletem em geração de riqueza acabam por compor o PIB, distorcendo, assim, a informação pretendida com esse indicador. Podemos listar alguns deles: gastos contra criminalidade, saúde, entre outros. Outra curiosidade são os serviços. Exemplo: se uma pessoa realiza tarefas domésticas por conta própria, como limpar a casa, cuidar dos filhos ou cozinhar, nada é acrescido ao PIB. Contudo, quando um terceiro é pago para realizar esse serviço, os valores serão inclusos no PIB.

Outro aspecto que confronta com as ideias de Hazlitt é a balança comercial. Enquanto Hazlitt acredita que não existe diferença de longo prazo entre exportações e importações, pois o câmbio recebido em uma determinada exportação será revertido por meio de importações ou gastos de turismo, o PIB considera importações como um deflator do seu índice, enquanto as exportações têm um efeito positivo no indicador.

Uma das críticas mais contundentes ao PIB é sobre a sua incapacidade de capturar a qualidade real da vida das pessoas. Embora o PIB possa aumentar devido a atividades como a limpeza de desastres naturais ou gastos com saúde devido a uma epidemia, esses eventos não refletem necessariamente um aumento no padrão de vida da população. Hazlitt argumentaria que, nessas situações, o aumento do PIB é uma medida enganosa de prosperidade econômica, pois não leva em consideração a verdadeira qualidade de vida das pessoas afetadas.

Autor

Jhonnilo-Soares-Cunha

Jhonnilo Soares Cunha

Associado III

Mila Transportes

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