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A Revolução dos Bichos

Resenha Crítica – Por Aurea Lucia Fonseca Mocelin, Associada Honorária do Instituto Líderes do Amanhã

Na Bíblia, os Dez Mandamentos consistem em dez regras dadas por Deus ao povo, para que tivessem uma vida mais feliz e próspera. No Catecismo, por exemplo, se aprende que os mandamentos ajudam a compreender a vontade de Deus e, quando obedecidos, as ações dos seres humanos se transformam na sua salvação.

Agora, e se essa listagem fosse modificada de tempos em tempos pelos seres humanos? Uma infinidade de diferenças entre as pessoas poderia compartilhar da mesma opinião? Melhor ainda: e se uma pequena parcela dessas pessoas tivesse poder, elas permaneceriam com os mesmos mandamentos religiosamente?

É o que o livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, apresenta como analogia entre homens poderosos da sociedade. Com breves 156 páginas, o autor escreve uma fábula como uma forma de alegoria para o que aconteceu durante a Revolução Russa e suas consequências.

No livro, são os animais que decidem se organizar, retirar os seres humanos do poder e fazer uma sociedade onde todos cooperam entre si, buscando a melhoria do grupo. Com a liderança de dois porcos, Napoleão e Bola-de-Neve, os animais conseguiram expulsar os donos da fazenda e tomar posse do local, pregando o sonho de que cada um trabalharia de acordo com suas habilidades e tudo seria distribuído igualmente.

No começo, a rebelião é um sucesso: os animais estão todos felizes pelas grandes mudanças, trabalham livremente e são definidos Sete Mandamentos pelos quais eles irão viver, que são: 1) qualquer coisa que ande sobre duas pernas é um inimigo; 2) qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo; 3) nenhum animal usará roupas; 4) nenhum animal dormirá em cama; 5) nenhum animal beberá álcool; 6) nenhum animal matará outro animal; 7) todos os animais são iguais.

Esse seria o quadro perfeito da utopia criada em cima da ideia de que se pode viver de forma igualitária e compartilhar todas as nossas conquistas com o grupo, criando um mundo mais eficaz e justo.

Porém, com o passar do tempo, os porcos começam a criar algumas regalias: eles poderiam trabalhar menos, pois teriam que organizar e direcionar os outros animais; a alimentação deles começa a ser diferenciada e só eles podem tomar leite e comer maçã, com a justificativa que precisam de mais nutrientes por conta da capacidade intelectual.

Além disso, eles manipulam os Sete Mandamentos, como: 4) nenhum animal dormirá na cama com lençol; 5) nenhum animal beberá álcool em excesso. Eles eram constantemente alterados a favor dos porcos.

Os outros animais percebem que eles continuavam sendo oprimidos, continuavam trabalhando pelo bem dos outros sem regalias e com uma carga de trabalho muito maior. Ou seja, eles conseguiram a revolução, mas não conseguiram a igualdade.

No livro, Orwell destaca que: todos os animais são iguais, mas uns mais iguais que os outros. Os mandamentos passaram a ser particularizados dependendo de quem se tratava, corrompendo o sistema que prometia igualdade para todos. No final da história, alguns animais acabam mortos e outros vão sumindo da granja, e os porcos que restam começam a caminhar em duas patas, corroborando com a ideia de união entre os porcos e os homens.

O líder que escreveu os Dez Mandamentos da Bíblia zelou pelas ações do grupo em detrimento de sua vontade particular, sem quebra de princípios estabelecidos pelo mesmo. Por isso, depois de tanto tempo, ele ainda é seguido por milhões de pessoas. Ao contrário da busca pelo poder que dá lugar à ambição descontrolada, exemplo presente no livro, que pode ser instaurada a qualquer momento, em qualquer busca pela salvação, nos dias de hoje.

Autor

Aurea Lucia Mocelin

Aurea Lucia Fonseca Mocelin

Associada Honorária

Olho do Dono S/A

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